texto: Paulo Gotoh
fotos: Mayumi Gotoh

........Imaginem uma Woodstock, porém maior, ao invés de hippies, centenas de barracas organizadas num camping; no lugar de coloridas roupas e cabelos descuidadamente longos, roupas negras, cabelos e visuais produzidos, e mais do que apenas delírios, uma preocupação com a cultura gótica através de feiras resgatando os costumes, trajes e utensílios da idade média, lojas vendendo desde zines, revistas, roupas e acessórios das lojas mais interessantes do estilo à Cds, pôsters e artigos decorativos, isso com shows de bandas de todo o mundo e de todas as tendências entre Dark-Wave, Industrial, Gothic Rock e Electro-Goth e EBM, não em um só local mas em vários espalhados pela cidade, todos ao mesmo tempo. Um evento para agradar todas as facções do gênero. Tudo em quatro dias! Um dark carnival!
........Imaginaram? Pois bem, vocês chegaram perto do que foi o 8th Wave-Gotik-Treffen Festival em Leipzig-Alemanha, que transformou a vida de uma bela cidade, povoando-a com aqueles de negro, aqueles que amam a escuridão e o mórbido, os anjos caídos, os góticos. Desde seu início em um castelo medieval em 1987, o festival vem até agora mantendo a tradição, crescendo a cada ano.
........Segue abaixo minha tentativa de descrever o que foi esse fenômeno anual, reunindo apreciadores do gênero de todo o mundo.

................Dia 21
........Primeiro dia do festival, Leipzig está tomada. Encontra-se góticos e afins em toda parte, nas ruas, nas lojas, hotéis, restaurantes, trams, ônibus, trêns. O primeiro evento estaria previsto para as 12h. no Werk II e uma multidão já aguardava em frente para poderem trocar os ingressos pelas pulseiras que davam acesso aos locais do evento e que liberava a passagem do tram que, por um acordo da organização com a prefeitura, seria gratuito ao público do festival. Passava das 14h e, enquanto uma chuva fina e gelada caía as pessoas começavam a ficar impacientes. Era muita gente e a organização não estava dando conta, então avisos em alemão por um alto-falante diziam que os ingressos também poderiam ser adquiridos no Agra, o que fez muitos tomarem os trams para lá.
........Nos guichês do Agra uma outra massa negra aguardava pelos ingressos pacientemente na fila e após quase uma hora conseguia-se a pulseira (uma fita negra com o logo e o nome do festival).
........Dentro do Agra ficava o camping com centenas de barracas, uma enorme tenda com a pista de dança ao lado, o escritório de imprensa, traillers e quiosques vendendo lanches e bebidas, uma tenda de banho medieval onde por dez marcos podia-se tomar um banho no estilo da idade média, com pétalas de rosas ou folhas de hortelã e com direito também a massagem. Haviam também o Hall I e II, um pavilhão de eventos dividido em duas seções, sendo Hall II o palco para as bandas grandes apresentarem-se e o Hall I a Treffenmesse und Nachtmarkt, uma feira de goth-goods onde o sonho (ou pesadelo) de consumo dark se realizam. Com inúmeros estandes vendendo Cds, revistas, livros, um mini estúdio de fotografia, roupas, acessórios trazidos por diversas boutiques da Alemanha como a Xtra, selos como o Red Herring e Berlin by Night, estande exclusivo de acessórios de couro Hot Skins, que só existe em feiras como aquela, estandes de revistas de música da Alemanha como Sonic Seducer e Zillo. Entre os dois halls ficava um espaço reservado para lanches e bar e desse espaço tinha-se acesso a outra sala transformada em club com iluminação, bar e DJs. Opções para os mais diversos estados de espírito não faltaram.
........Os shows previstos para o dia atrasaram, uma constante durante o festival. Os destaques ficaram por conta da banda Tanzwut, banda alemã que mistura instrumentos medievais a um som industrial-metal bastante pesado, performances grandiloqüentes com fogos de artifício e fagulhas voando pelo palco, figurino que lembrava os personagens de Mad Max, máscaras de metal e roupas medievais, gaitas de fole, tambores descomunais entre outros exóticos instrumentos da idade média sob sequênciadores e samplers. (Os músicos do Tanzwut também participam de uma banda de música medieval). O peso do som deles só era aliviado pela participação da backing vocal feminina que dava um toque de fragilidade entre as muralhas de som e vocais guturais. Fizeram a festa com a platéia.
........Em seguida houve o Modespektakel, de um grupo de estilistas alternativos alemães. Um desfile de moda que mesclava performances no palco, dança e jogos de luzes, com trajes variando entre gótico e fetichistas.

 

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........Depois foi a vez de Loom & Orquestre, integrantes do grupo Loom acompanhados por uma orquestra de música clássica.
........Enquanto isso das 21:00 até às 3:00 rolava a festa Berlin DJ-Marathon Teil II ao lado do camping, numa imensa tenda onde estava instalada a pista de dança.

................Dia 22
........Novamente caía a chuva fina. No Agra Hall II, ao meio-dia, era a vez de Diamanda Galás se apresentar. O pavilhão estava totalmente escuro, cheio de cadeiras e com dificuldade podia-se passar entre as fileiras para acessar o backstage e o espaço dos fotógrafos. Madame Galás entra lentamente sob luzes vermelhas, com saltos agulha altíssimos e o público ovaciona. Senta-se ao piano e começa sua performance Malediction and Prayer de forma precisa e potente, conseguindo silêncio e devida atenção a sua apresentação e seus malabarismos vocais. Com um show bastante técnico, não dirigiu uma palavra à platéia, mas todos estavam para ouvi-la cantar e pareciam não se importar com esse detalhe, apenas extasiados com sua música. Depois de dois bises ela deixa definitivamente o palco enquanto os espectadores pediam por mais. Era hora de seguir para o próximo local onde mais shows seriam realizados.
........Em Einlaß Parkbüne, uma arena ao ar livre dentro de um belo parque de Leipzig, à tarde, as atrações eram Lore Of Asmoday, The Last Dance, Anathema (cancelado) e Inkubus Sukkubus.
........Os integrantes do Lore of Asmoday chamaram a atenção da maioria dos fans de gothic rock tradicional (o estilo escolhido para Parkbüne) com sua música melancólica experimentalista, com o toque exótico de um instrumento de sopro dos aborígenes da Austrália.

........Em seguida foi a vez dos simpáticos rapazes do The Last Dance, que contavam com suas melodias dançantes fazendo a platéia agitar mesmo com a chuva.
........Muito carismática também foi a apresentação do InKubus Sukkubus, com a vocalista usando um vestido longo e sua coroa de azevinhos. Ela dançava o tempo todo e manteve o pique dos que assistiam ao show. Além de suas músicas como Intercourse With The Vampire, tocaram os covers Paint It Black (Stones) e Spellbound (Siouxsie). Mal termina o show houve a coletiva com o Sex Gang Children, realizada na sala de conferência do hotel Intercontinental de Leipzig,.
........Depois era hora de correr para cobrir o show no Agra Hall II. Ao contrário do que podia-se pensar, no segundo dia tinha mais gente chegando e comprando o ingresso para a noite que tinha como a atração do dia, Project Pitchfork. Os seguranças estavam doidos com a enorme quantidade de fotógrafos, autorizados a tirar fotos apenas durante as três primeiras músicas, por isso muitos foram barrados, inclusive nós, mas conseguimos uma autorização. Eles entram com o sequênciador ligado, o baterista Jens na jaula, e Scheuber entra todo pintado de verde dançando descoordenadamente para a platéia que vibra. Ao entrar Peter Spilles com uma blusa dourada e tinta no rosto aumentam o barulho dos espectadores e os disparos de flash dos fotógrafos que se acotovelavam por um melhor ângulo. Foi um show para a maior platéia do festival que lotou o Agra Hall II. Algumas pessoas foram retiradas por passarem mal devido à pressão e o calor do público. Apesar do show começar bem atrasado e terminar quase duas da madrugada, todos pularam e cantaram juntos os hits da banda que deu toda sua energia no palco, fazendo uma apresentação contagiante. Não é a toa que eles são atualmente uma das maiores bandas da Alemanha.

................Dia 23
........O céu brilha azul das 4 da manhã em diante e ficaria assim até as 9:30 da tarde da primavera européia, um belo domingo que estava repleto de atrações.
........No Agra Hall II os shows mais uma vez atrasaram. Siouxsie e Budgie aparecem no stand da revista Sonic Seducer para uma tarde de autógrafos, cercado de fans que levaram para casa posters assinados pela dupla. Durante uma breve conversa ela nos disse que adoraria tocar no Brasil mas até então não havia recebido propostas dos promotores de eventos do Brasil que pareciam um tanto "tímidos". Budgie comentou ter gostado muito de São Paulo quando tocaram por lá.
........A noite é inaugurada com Dies Irae , uma banda alemã que teve pequena platéia, sendo seguida dos japoneses do Eve OF Destiny comandada por Haruhiko Ash. Preocupado e bastante nervoso antes de subir ao palco, estava nos contando que tivera uma série de problemas com os aparelhos que nunca havia utilizado e que não lhe foi permitida uma passagem de som, tudo isso somado à expectativa de sua primeira apresentação. O show começou com Haruhiko um pouco inseguro, depois foi ganhando confiança e tudo começou a fluir melhor, apresentando boas músicas. O público parecia bastante curioso com a banda. Uma indelicadeza da produção que, sem aviso acendeu as luzes para interromper o show, já com o cronograma totalmente atrasado, causando discussões entre os produtores do evento e a agente de Haruhiko, mas sem solução, EOD sai do palco. Não fosse por isso teria sido perfeito.
........O grupo australiano Ikon, que estava programado para tocar em seguida, havia cancelado sua apresentação.
........Entra Eva O com sua velha guitarra azul e seu goth-gospel acompanhada por Josh Pyle (Audio Paradox) e Adam Clayton (The Wounded). Os que a conhecem apenas pelo vídeo-clip que aparece na coletânea nunca a reconheceriam, com uns quilos a mais e com o cabelo preto, mas sua voz rouca marcante seria a quebra das dúvidas. Durante todo o show, lotado de fans, tocaram em sua maioria músicas de ritmo mais lento e pesado de seu repertório. Outro show que foi interrompido pela produção, a banda sai sem o bis e a platéia protesta.
........Em seguida foi a banda alemã Secret Discovery, que segundo consta estariam fazendo sua última apresentação. Infelizmente seu show foi um longo desfile de músicas metal-pop, com o vocalista exibindo seus músculos numa performance que lembrava clube das mulheres, com interessantes 80's pop covers como Merry Go Round (Dead Or Alive) e Slave To The Rythm (Grace Jones). Muito queridos por lá, ainda não descobri porque.
........Chega a vez de Creatures se apresentar. Enquanto os roadies terminavam os últimos acertos o casal aparece do camarim acompanhados de seus músicos e vestidos com roupas de cores metálicas. Siouxsie num conjunto prata e Budgie numa túnica curta de paetê vermelho. Sobem ao palco sob os gritos da multidão que os saúdam e atacam com Disconnected. Siouxsie requebrou-se durante quase todo o show, que teve como ponto alto suas vibrantes performances tocando um bumbo com baquetas com pontas de feltro e provocando a platéia ao tirar o colete prata e ficando de soutien de lantejoulas. Uma fan mais inspirada tirou tudo no meio da multidão. Mesclaram bem as canções do Anima Animus como o hit 2nd Floor com algumas do Boomerang como Pluto Dive e do Feast. Budgie além das percursões também tocou guitarra acústica contribuindo para o show ser um dos mais carismáticos da noite. Com So Unreal e a produção impaciente nas escadas do palco encerram a apresentação sem bis e mais uma vez os fans se zangam. Ao saírem do palco, ainda de muito bom humor Siouxsie sorriu para os que estavam no backstage aplaudindo pela ótima apresentação.

........Encerrando os concertos da noite, Sex Gang Children, com o "duende gótico" e sua trupe que aguardavam ao lado do palco. Todos aparentando calma e conversando, apenas Andi parecia um tanto impaciente. Os músicos sobem e ele fica esperando na escada, mas ao entrar todos vibram. Abrem com Bormann Chain. Alguns fans mais antigos quase não reconheceram aquela figura de baixa estatura e sem maquiagem, num terno marrom cinzento com sapatilhas pretas e meias brancas, bem diferente daquele glamouroso "Lorde Visigodo", mas era ele em pessoa trazendo um show composto em sua maior parte de musicas antigas, para delírio dos fans, com músicas como Draconian Dream, Death And The Soldier e Land Of Ghosts onde não poderia faltar o clássico Sebastiene para agradar os fans famintos por suas performances. Os agudos a La Piaff de seu ídolo estavam em plena forma, tanto nas músicas mais lentas e melancólicas como em seus ritmos mais enfurecidos. Aos fotógrafos foi novamente dado apenas o tempo das três primeiras músicas, fazendo-os dispararem inúmeros flashes durante esse período. Muitos dos que estavam assistindo ainda nem tinham nascido quando o SGC tocava no Bat-Cave mas acompanhavam com os olhos pasmos, por presenciarem Andi Sexgang, numa histórica apresentação. Eles também não foram exceção dos implacáveis produtores que estava discutindo com os agentes da banda, mas após a última música eles ainda puderam tocar Mercy para o consolo dos fans, que apesar de curta tiveram uma ótima amostra de um show da lendária banda ao vivo.
........As apresentações do dia encerraram-se quase duas da madrugada, hora em que passa o último Tram, mas para quem ficou e não estava acampado, poderia matar-se de tanto beber e dançar até às 4 da manhã (hora em que os trams voltam à atividade) na festa da revista alemã Zillo, Black Wings Over Leipzig contando com DJs como Steve Weeks de Londres, Scary Lady Sarah de Chicago e Guillaume Michel de Paris, entre outros, transformando o Hall II numa enorme pista de dança.

................Dia 24
........O Einlaß Haus Leipzig, uma casa de shows pequena, com palco pequeno mas com um ambiente agradável, estava reservado para as bandas de gothic-rock com percussão eletrônica, EBM e bandas de electrogoth.
........Os shows seguiram a tradição dos atrasos e com a ordem diferente do programa. A primeira a apresentar-se foi Access Denied, num estilo que lembrava muito Depeche Mode, inclusive pelo visual do vocalista parecido com Martin Gore e pelas melodias, um tecnopop bem feito como DM.
........Na seqüência os ingleses do Inertia. Apesar do nome ninguém conseguiu ficar parado ante um EBM bastante dançante e performances empolgantes de Reza Udin nos vocais e Alexys B na bateria eletrônica.
........Suas melodias conquistaram os gothz que os fizeram retornar várias vezes para o palco onde, devido a grande quantidade de fumaça ficava quase impossível fotografar. Ao término da apresentação houve uma verdadeira luta para comprar os últimos Cds que eram vendidos no estande, uma resposta a altura da boa performance.
........A próxima a apresentar-se foi L'Ame Immortelle, também na linha electro-goth, com mais peso nos vocais masculinos passando por melodias mais pop no vocal feminino, também com boa aceitação da platéia.
........Encerrando entra o Nosferatu, com seus integrantes vestindo camisas com babados. O baixista com seu sorriso estranho e o vocalista de baixa estatura e um pouco além das medidas, com seus modos delicados compunham uma interessante cena. Indispensáveis as músicas Torturous e The Hauting que fizeram o povo dançar mais. Apesar do volume do som quase insuportável para quem ficava perto do PA, a banda manteve todos colados no palco.
........Fim de shows, mas ainda havia mais em Augustusplatz uma moderna e bela praça onde aconteceria a festa de encerramento, com inúmeros bares e biergartens em galerias que pareciam labirintos subterrâneas de tijolos num clima muito especial lembrando catacumbas e calabouços. Ainda pudemos ver um pouco do show do House Of Usher e encontrar góticos com os visuais mais ousados possíveis por lá, esbarrar com Andi Sex Gang ou com o vocalista do Nosferatu entre outros artistas que se apresentaram no festival. O local também abrigava a feira medieval, uma reprodução bastante realista da época, com pessoas com trajes e ornamentos da idade média, vendendo comidas e acessórios típicos da era dos Godos nas diversas barracas. As várias câmaras subterrâneas onde houveram apresentações de diversas bandas e performances viraram pistas de dança com som de toda a variedade, dos mais diversos DJs do estilo. Numa delas , um cubículo nada recomendado a claustrófobos, fervia com o povo se matando ao som de EBM e electrogoth. ........Para quem queria apenas bater um papo haviam os bares, cerveja da melhor qualidade e lanches. A festa durou até o raiar do sol.

................Dia 25 terça-feira, como numa ressaca a cidade voltou ao seu normal, parecia que o festival havia sido um sonho, a maioria do povo de preto havia ido embora, mas ainda eram vistos alguns com enormes mochilas nas proximidades da estação central. A todos que foram e participaram fica aquela vontade de voltar a Leipzig para o próximo festival. Aos que, de algum modo identificam-se com o estilo recomenda-se ir, pois vale a pena, é uma experiência única!

Notas sobre o festival:

· Leipzig, uma agradável cidade, parte do que era a Alemanha Oriental, tem uma atmosfera bastante propícia devido sua arquitetura, suas áreas verdes e seu clima nebuloso. Ao chegarmos e procurarmos por nossas credenciais de imprensa percebemos que o festival seria algo maior do que imaginávamos, pois o escritório ficava em outra localização da cidade, no Agra (como o nome sugere um espaço a princípio reservado para feiras agropecuárias) estávamos ao Werk II, outro local de eventos do festival, e teríamos que pegar um Tram (os bondinhos elétricos) para ir lá.
· Felizmente conseguimos uma carona de carro dada por Íris, uma garota que estava trabalhando para o festival. No trajeto para o Agra, ela nos disse que em Leipzig era mais comum ter festivais de música clássica, e que era muito estimulante essa enorme quantidade de visitantes do mundo todo virem para um festival gothz, enquanto apontava no caminho alguns dos vários locais onde realizaríam-se os eventos, o que significava mais trabalho para nós que deveríamos nos deslocar de um lado a outro da cidade para cobri-los..
· Após conseguirmos nossas credenciais outra dificuldade foi encontrar o programa do festival, nele continha todos os horários e locais dos eventos incluindo um mapa ensinando como fazer para chegar lá (em alemão). Ganhamos o nosso de um segurança que, por não conseguir responder algumas informações em inglês preferiu dar-nos um programa. Por ter sido um país que viveu sob o regime comunista, a maioria das pessoas aprenderam na escola o russo e apenas os mais novos inglês, entretanto as pessoas por lá em sua maioria são bastante simpáticas.
· A coisa mais fácil era ficar perdido por lá, pois eram muitos lugares e varias linhas de tram e não adiantava seguir os góticos, pois eles iam e vinham para todas as direções. Felizmente haviam mapas e muita gente para dar informações.
· Ao lermos o programa uma triste constatação: teríamos que escolher em que shows ir, pois muitos bem interessantes aconteceriam simultaneamente
· No Werk II encontramos com uma equipe de DJs da casa noturna Flash de Simmern, Alemanha que participaria de um dos eventos e entre eles havia uma garota alemã que morou no Brasil e falava um pouco de português. Bem simpáticos eles traduziram os avisos em alemão.
· Peter Goritz, baixista do Last Dance, após o show estava conversando conosco, ele sabe o espanhol e esta aprendendo japonês, bastante amistoso.
· Mal termina o show de Sukubus Inkkubus eu deveria correr para uma coletiva com o Sex Gang Children realizada na sala de conferência do hotel Intercontinental de Leipzig, a convite de Thomas Hamm, um dos organizadores do evento.
· O fotógrafo da revista Sonic Seducer, uma pessoa bastante simpática, conseguiu uma autorização para podermos fotografar o disputado show do Project Pitchfork. Antes do show estávamos conversando e disse-me ser um grande amigo do pessoal do Rammestein, além de ser fan e amigo dos garotos do Pitchfork de quem tirou uma foto exclusiva quando Peter Spiller teve seu cabelo raspado durante uma apresentação, no palco por um roadie, devido a alergia causada por uma tinta que Peter passou no cabelo antes de subir para tocar.
· Numa breve conversa que tive com Siouxsie e Budgie, ela nos disse que adorariam tocar no Brasil, mas que até o momento não haviam recebido um convite, _"os promotores de eventos parecem um tanto tímidos." _ disse Siouxsie, ( O que acontece com os promotores de eventos do Brasil??? ) Budgie disse ter gostado muito de S. Paulo quando estiveram no Brasil.
· No backstage ainda pude trocar algumas palavras com o Gary Shanley, baixista do Sex Gang Children, que contou-me ter amigos brasileiros em Londres.
· O último dia do festival, segunda (feriado em boa parte da Europa nesse dia) seria para acabar num ritmo mais calmo, mas ainda assim havia bons shows para assistir.
· O Einlaß Haus Leipzig, uma casa de shows pequena , com palco pequeno mas com um ambiente agradável, estava reservado para as bandas de gothic rock com percussão eletrônica, EBM e bandas de electrogoth, no dia 24. Dentro do saguão de espera podia-se comprar lanches tipicos alemães , bebidas e haviam também estandes vendendo camisetas e Cds das bandas.
· Num desses estandes encontrei um interessante zine suíço chamado Dark Life, divulgado por Eleonora, uma italiana que também cobria o evento.