Bella Morte

Nova formação e novo álbum

Formado em 1996, por Andy Deane e Gopal Metro, o Bella Morte se destacou dentro do restrito mercado norte-americano com uma sonoridade bem criativa, misturando gothic rock, death rock, synth pop e outros gêneros adjacentes ao gótico. Logo após o lançamento de As the Reason Dies (2004), conversamos com o vocalista Andy Deane:

Qual é a origem do nome Bella Morte?

Gopal (o baixista) apareceu com este nome para a banda quando começamos. Significa "morte bela", o que faz sentido já que sem a morte não haveria sentido vivermos o tempo que temos aqui. O nome serviu também para cada mudança que fizemos durante os anos, então acho que fizemos a escolha certa!

É difícil rotular o som da banda já que vocês trabalham com diferentes estilos, como o gothic rock, o death rock e o synth pop. Como vocês descreveriam o Bella Morte às pessoas que não os ouviram ainda?

Na verdade eu gosto de falar para as pessoas que somos apenas uma banda de rock com muitos elementos eletrônicos no meio. Se eu for mais específico que isso as pessoas começarão a formular as suas próprias idéias sobre a nossa música e eu prefiro que eles ouçam o nosso som antes disso. Gravadoras também podem fechar portas se você deixar, mas temos feito um bom trabalho evitando isto. Eu penso que somos como o Faith No More era há alguns anos. Você nunca sabia o que esperar deles!

Quais são as principais influências para o som do Bella Morte?

Isso depende de qual membro da banda responderá, já que nossa música é tão diversificada como são os integrantes da banda. Quando comecei a curtir a música underground eu era louco por metal e punk. Eu comecei a ouvir gótico somente mais adiante. Principalmente por que ele se dividia tanto entre o punk e o doom metal. Agora eu amo todos esses estilos, mas há períodos que um estilo se sobrepõe sobre o outro, mas nunca por muito tempo. Agora, se você perguntar para os outros na banda quais são as nossas influências, Tony jogaria Guns n' Roses, Micah lhe diria At The Gates, Gopal diria Einstürzende Neubauten e Jordan diria Motley Crüe! (risos)


Bella Morte começou como uma dupla. Agora que a banda incluiu novos integrantes (Tony na guitarra, Micah no teclado e Jordan Marchini na bateria), como isto afetou o som do Bella Morte e o que você pode dizer sobre eles?

Eles ajudaram a melhorar tremendamente nossas apresentações ao vivo. Ter um baterista atrás de nós acrescentou muito mais energia na banda. Com eles, melhoraram as composições também, pois isso nos permitiu escrever mais "na prática" ao invés de ficar sentado na frente de um computador em casa. É muito mais divertido!

Parece-me que vocês estavam satisfeitos em ter Bn Whitlow como guitarrista na banda, mas ele saiu da banda repentinamente. Por quê?

Bn teve que deixar a banda por causa de sua noiva que estava prestes a ter um filho. Com certeza não foi nada pessoal. Bn é ainda como um irmão para mim. Nós tentamos ficar juntos a maioria do tempo livre e inclusive almoçamos juntos antes de eu partir em turnê de divulgação de As the Reasons Die. O nome do filho dele é Thurston e ele está crescendo rapidamente. Bn ainda trabalha com música em Charlottesville, Virgínia (minha cidade natal) e seu material está soando muito bem!


Sobre o novo álbum, As the Reason Dies, o que você poderia falar sobre ele? Como ele está sendo recebido pela imprensa e amigos e quais são suas perspectivas?

As the Reasons Die recebeu ótimas resenhas em todos os veículos especializados. Eu acho que é de longe o nosso melhor trabalho e isso está se comprovando cada vez mais por causa das vendas e das resenhas que aparecem. Este álbum nos trouxe perto do "prontos para decolar". Nós estamos fazendo um vídeo para a música "Another Way" que estará na televisão também atraindo público (este vídeo já está disponível no sítio oficial da banda). Espero receber a atenção que estamos esperando receber!

Eu não sei se você tem conhecimento disto, mas Where the Shadows Lie teve uma boa aceitação pelos góticos aqui no Brasil. Estranhamente, eles não aprovaram o seu sucessor The Quiet. Para você quais são as principais diferenças entre este novo álbum com os anteriores?

Mesmo que eu goste muito dele, eu também acho que The Quiet foi um pouco disperso. Ele soou mais como uma compilação de músicas do que um álbum. Com nosso novo álbum, escrevemos músicas que se encaixam melhor. Assim como em Where the Shadows Lie, acho que o novo álbum tem um som maior e mais épico do que qualquer outro trabalho nosso. Nosso jeito de compor amadureceu muito.

Acho que As the Reasons Die tem um som mais orientado para o pop e parece ser mais acessível. Você concordaria comigo?

Bom, eu acho que As the Reasons Die poderia ter uma aceitação maior no rádio ou na MTV2 quando comparado aos nossos trabalhos anteriores. Mas eu acho que isto tudo e por causa da qualidade da produção juntamente com as nossas composições. Se você pega uma banda e grava suas músicas duas vezes, uma num gravador de quatro canais e outro num estúdio multimilionário, a gravação no estúdio tem chances de tocar na rádio enquanto a mesma música gravada naquele gravador de quatro canais não tem a menor possibilidade. Então, sim, ele é mais acessível de certa maneira, mas é mais experimental vendo de outro ponto de vista.


O estilo gótico tem suas raízes na Europa, e muitos têm a visão de que nos EUA há apenas um mercado mainstream e de que o mercado underground (gótico ou não) é um pouco irreal. Como está a cena gótica hoje em dia por ai?

Eu penso que a cena está muito bem. Mesmo que às vezes ela tenda a ficar com uma visão só do lado E.B.M. ou death rock, que seja, ela continua andando. É difícil para uma banda num certo estilo continuar nele, por que não há toneladas de dinheiro disponível na cena. Mas, felizmente, existem algumas bandas que conseguiram obter fãs em outros estilos também.

Vocês vêm de uma pequena cidade da Virgínia e eu já li em uma entrevista de vocês que só por que a cidade é tão pequena, quando há um show, toda comunidade underground (góticos, death rockers, punks, headbangers e até skinheads) é de alguma maneira forçada a ficar junto. Conte-me um pouco mais sobre isto. É assim mesmo?

É assim mesmo em Charlottesville. Eu cresci dentro daquela cena e sou feliz por isso! Ensinou-me um monte de coisas como, por exemplo, manter a mente aberta em relação à música e às pessoas. As bandas de lá são tão diversificadas como a cultura, o que pode gerar alguns sons bem interessantes. Minha banda preferida é o The Elderly. Mas, sim, as cenas realmente são obrigadas a ficarem juntas e acho que deveria ser assim em todos os lugares.

Por aqui nós temos algumas diferenças musicais entre a velha geração da música gótica já que ela é ligada mais com os elementos eletrônicos enquanto a mais jovem prefere o metal no meio. Isto existe nos EUA?

Eu acho que nos últimos anos os mais jovens têm ouvido E.B.M. também. É claro que os fãs das bandas góticas antigas irão curtir o som à moda antiga, mas me parece que os mais jovens estão começando a apreciar isso também e eu estou muito feliz que isto esteja acontecendo! O gótico parece que perdeu as suas bolas em algum lugar, mas as coisas estão tomando o seu devido lugar. No entanto, sinto-me confortável com as coisas que vêm do metal.

Recentemente uma banda americana emplacou nas paradas como um foguete sendo uma das bandas mais ouvidas do momento. Eu falo do Evanescence, considerada por algumas pessoas como uma banda de metal gótico. Qual a sua opinião sobre isso?

Eu penso que é ótimo para eles! Eles trabalharam pesado para que tudo aquilo acontecesse e desejo-lhes o melhor. É legal ver uma banda relacionada ao gênero sendo realmente paga pelo que fazem, porque há muitas bandas que ficam sua carreira inteira trabalhando sem ganhar um centavo. Muitas bandas se separam por dificuldades financeiras, então, quando surge uma banda com o nome "goth" relacionado a eles isso ajuda muitas bandas dentro da cena.

Qual é a sua opinião sobre o metal gótico?

Bom, eu cresci ouvindo doom metal como Solitude Aeturnus e Paradise Lost, e recentemente tenho ouvido uma banda chamada Flowing Tears que tem um som incrível. Então, se for este o estilo de música você está falando eu adoro. É só outra coisa que a cena gótica pode fazer. Diversidade é o que faz essa cultura fantástica. Eu iria odiar estar numa cena fechada e que não deixa outras tendências entrarem. Acrescentando, metal é o que vale!


Vocês esperavam que a música do Bella Morte chegasse tão longe, aterrissando em países como o Brasil, por exemplo?

Bem no início é claro que não! Na verdade, não esperava muita coisa! Nossa quantidade de fãs tem aumentado cada vez mais e fico feliz que o nosso som tenha chegado ao Brasil. Agora teremos de descer aí para uma turnê! Eu não tenho amigos brasileiros o suficiente... então, esta seria a maneira simples de resolver este problema. Fazer uma turnê na Europa e na Grã-Bretanha foi outra experiência gratificante e eu fiquei surpreso mais uma vez em ver quantos fãs nós tínhamos lá. A partir daquela turnê recebemos muita atenção da imprensa por aquelas partes do mundo.

Os seus álbuns não são lançados aqui, mas muitos conhecem a banda pela internet. Vocês apoiam a troca de MP3? Para vocês isso é lucro ou prejuízo?

Em casos como esses, eu acho que o download é o máximo! Eu fico feliz que nossa música tenha achado seu caminho para as suas casas. Trocar músicas pela internet expõe novas bandas para novas audiências, mas eu acho ainda que quem gostar da música deveria comprar o CD para apoiar a banda. É assim que você mantém a sua banda preferida viva!

Para concluir, deixe uma mensagem para os fãs do Bella Morte aqui no Brasil!

Obrigado pelo apoio! Vocês detonam! Nós definitivamente devemos alguns shows a vocês e mexeirei meus pauzinhos para algo acontecer. Assim que uma oportunidade aparecer, mostraremos a cara. Podem contar com isso!


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