A Imagem

Anna de Bracovan

Tradução de Guilherme de Almeida.

Pobre fauno que estás morrendo,
Reflecte-me em tuas retinas
Para fazer meu pensamento
Dansar entre as sombras divinas.

Vae, e dize aos mortos, áquelles
A quem, folgando, eu agradára,
Que, entre os teixos, eu penso nelles
Quando passo pequena e clara.

Dirás minha fronte e os segredos
Dos atilhos de lan morena,
Minha bocca estreita, e meus dedos
Cheirando a relvas e a verbena,

Tu dirás meus gestos mudáveis
Que se deslocam como a sombra
Que as folhas vivas e incontaveis
Balançam leves sobre a alfombra,

Dirás que ás vezes eu desperto
De palpebras lassas e lentas,
Que á tarde eu danso e o vento esperto
Move-me as vestes somnolentas,

Dirás que eu durmo, o braço morno
E nú sob a nuca perfeita,
Que minha carne é de ouro em torno
De minhas veias de violeta;

- Dize que é bom vêr meus cabellos
Azues como ameixas maduras,
E meus pés como dois espelhos
E meus olhos da côr da lua;

E que nos poentes tentadores,
Deitada entre as fontes pagãs,
Eu desejei ter seus amores
E abracei suas sombras vans...
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