A Onda e o Rochedo

Pedro Luís Pereira de Sousa

Onda azul e dourada,
Toda trêmula de medo,
Correndo ao sôpro da brisa,
Foi-se abraçar ao rochedo,
E perguntou-lhe com pena:
"Ai, dize, que é que envenena
As horas do teu viver?
Sôbre ti... nuvens brincando
Em volta as garças voando,
E tu, meu pobre, a sofrer!...
Conta-me o triste segrêdo
Que te consome, rochedo,
Não sabes rir, nem chorar:
Há no céu tantos sorrisos!
Pelo mundo tantos paraísos!
E tanta força no mar".
O rochedo do oceano,
Que um sonho nunca namora,
Disse na voz da tormenta:
"Ai, vaga, vaga sonora!
As nuvens tão cintilantes
Em teus seios radiantes
Vão alegres se mirar,
Gaivotas, uma por uma,
Em tua cinta de espuma,
Vão suas asas roçar.
Para mim - pobre rochedo -
Se fez a mágoa, o degrêdo;
Que dôr; nem pódes sonhar!
Não podem matá-la os risos
Nem da terra os paraísos
E nem as festas do mar..."
página anterior
página inicial
imprimir este textoenviar por correio eletrônico
# (Anôninos, etc...) a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z
proposta do site | sobre a cultura gótica | créditos | contato
1998/2002 © Carcasse.com | comunidade virtual da arte obscura