Não me olhes

Pedro Luís Pereira de Sousa

Oh! não me olhes! Teu olhar me mata
Vem lembrar-me êsse amor que já me déste;
Hoje - quero sòmente um sono amigo,
Por noite de luar, sob um cipreste.

Tu me arrancaste a flôr da mocidade
- Palácio vaporoso em que eu vivia!
Que me queres dizer com teus olhares,
Raio d'estrêlas sôbre a lousa fria?

Que te pedia o poeta? Um pensamento,
Um sorriso de amor, um beijo ardente,
Dormir nos braços teus um dia, ao menos,
Depois lançar-se na voraz corrente.

E tu, pobre criança, rindo e rindo,
Como em jogo infantil negaste tudo...
E o vale perfumado em que eu cantava
Foi, pouco a pouco, se tornando mudo.

És bôa, eu sei, és terna e compassiva...
Ah! porque meu amor tu não sentiste?
Andava pelo mundo tão altivo,
Junto de ti, mulher, tornei-me triste.

Essa tristeza vinga, aumenta, cresce,
Vai corroendo o coração, querida;
Quando acabar-se - o coração está velho
E, velho o coração, - findou-se a vida.
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